De forma característica, quando se analisa o estado e o crescimento económico dos diferentes países, a variável chave é o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), isto porque representa todos os bens e serviços finais produzidos, sejam eles consumidos, investidos e exportados, numa região, num determinado período temporal.
Como demonstra o gráfico, desde o início do século XXI até 2002, o crescimento do PIB
em Portugal era ascendente e superior à média dos países da EU (União Europeia), mas desde então os valores têm baixado, registando-se um crescimento negativo até ao quarto trimestre de 2003.
Assim sendo, Portugal distanciou-se da média europeia a partir de 2002, em particular no ano de 2003, o pior ano a nível de crescimento económico do século XXI. Actualmente a tendência é contrariar estes números e Portugal tem vindo a conseguir aumentar o seu PIB, tentando alcançar os 1,9% estimados para o crescimento da zona euro, segundo um estudo realizado pela agência Reuters a 70 economistas.

Aqui é fulcral referir a importância do défice público (valor das despesas do Estado ultrapassa o valor das receitas). Desde 2000 que este tinha vindo a aumentar atingindo um máximo de 6%, ainda no ano de 2005, um valor claramente fora do que está incumbido de alcançar, segundo o pacto de estabilidade e crescimento que adesão ao euro exigiu.
É um imperativo claro para o Estado português diminuir esse défice, pelo que o Governo tem, constantemente, recorrido a medidas extraordinárias para a redução do défice (como por exemplo o aumento do IVA para 21%), sendo que se estima já para este ano um défice próximo dos 3%. Todavia, o grande problema, segundo alguns entendidos na
matéria, é o facto dos contributos para esta diminuição virem do lado das receitas, isto é, do aumento dos impostos e não da redução da despesa (atraso na reforma da administração pública). Todo este panorama tem impedido as empresas portuguesas de atingir um nível de competitividade capaz de fazer frente há selva que se instalou na economia nacional, nomeadamente no que concerne à limítrofe Espanha. Uma consequência grave desta perda de poder das empresas é o seu deslocamento para fora de Portugal e, assim, uma forte diminuição da despesa. Entra-se num ciclo vicioso, quase semelhante a um efeito bola de neve, que é, obviamente, transposto para o PIB.

Já no que diz respeito ao ano de 2007, o crescimento do PIB estima-se que seja de 1,8 por cento. Contudo os economistas protestam quanto à forma estipulada para atingir estes valores, uma vez que não será pelo aumento das exportações (que até vão diminuir) face às importações mas sim pelo aumento da procura interna. Em números, se a variação do PIB é de 1,8 por cento significa que 1,2 por cento será da responsabilidade da procura interna e 0,6 da procura externa.

Das variáveis que a procura interna dispõe, o Investimento foi a componente que mais se destacou, tendo registado um crescimento homólogo de 4,2% em volume. Há que referir que esta aceleração foi em grande medida provocada pelo elevado crescimento do investimento em material de transporte.

Ainda na Procura Interna, as Despesas de Consumo Final das Famílias Residentes (incluindo Instituições Sem Fins Lucrativos ao Serviço das Famílias - ISFLSF) aumentaram 1,3% no 3º trimestre de 2007, desacelerando face ao verificado no trimestre anterior (1,4%).
O contributo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB diminuiu, fixando-se em -0,1 pontos percentuais (p.p.) no 3º trimestre de 2007 (0,8 p.p. no trimestre anterior). As Exportações de Bens e Serviços cresceram 5,2% em termos homólogos, abaixo do verificado no trimestre anterior (7,4%). Inversamente, as Importações de Bens e Serviços aceleraram, registando uma variação homóloga de 4,5% em volume no 3º trimestre de 2007 (4,0% no anterior). Assim sendo, o terceiro trimestre de 2007 registou um crescimento económico pautado pela expansão do investimento e pelo abrandamento das exportações.
No plano interno, de acordo com a estimativa rápida do PIB, ter-se-á registado um ligeiro abrandamento entre o 2º e o 3º trimestre, passando de uma variação homóloga de 1,9% para 1,8%, reflectindo fundamentalmente o comportamento da procura externa. Os dados preliminares relativos ao 3º trimestre revelam uma redução de 4,0 pontos percentuais (p.p.) no crescimento homólogo das exportações em valor, face ao 2º trimestre.



